Galaico e Conservador

Reflexom sobre a extensom territorial dumha federaçom da Gallaecia

Outubro 19th, 2006

Este artigo é umha proposta de debate sobre o território dos estados galaicos que desejem participar numha federaçom da Gallaecia. A análise olha á evoluçom histórica dos povos da Gallaecia bracarense, lugense e asturiense, e termina com umha reflexom sobre a relaçom entre território e identidade nacional dos povos galaicos modernos.

A Gallaecia moderna ainda está viva. Ainda há galaicos que desejam liberdade nacional e que compartem um mesmo ideário e cultura galaica, em Vigo, em Porto, em Braga, em Lugo, em Ponferrada… O ideário dumha Gallaecia, cultural ou política, está a tornar-se cada vez mais popular (Eixo Atlántico na política, Copa Gallaecia de fútebol no desporto, festivais intercélticos na música, etc).

A história conta-nos qual era o território da Gallaecia do passado, um território que mudou varias vezes de extensom. Assím é a história da Europa, é a história de povos que evoluirom, ou que sobreviverom, ou que desaparecerom. Os povos evoluem e as suas fronteiras também, e o movimento histórico de fronteiras políticas termina por criar áreas fronteiriças de transiçom cultural entre duas nações diferentes.

Qual é a Gallaecia actual? É a Gallaecia moderna igual que a Gallaecia histórica? Até onde chega a cultura e a naçom galaica do século XXI? Qué territorios poderiam estar interessados numha federaçom de povos galaicos? Para compreendermos o nosso presente e o nosso futuro proponho olhar primeiro á evoluçom histórica do território da Gallaecia nos últimos 2000 anos.

1 – A GALLAECIA ANTES DA INVASOM ROMANA

Tradicionalmente, os povos galaicos estavam organizados em pequenos reinos célticos soberanos que ás vezes formavam alianças político-militares de uns contra outros. Mesmo a falta de unidade nacional, os reinos galaicos forom uns dos derradeiros territórios da Europa continental em serem conqueridos polo Império Romano. No Periodo do Triunvirato, anos 44-31 A.C., Roma ainda nom controlava os territórios correspondentes ás Gallaecias bracarense, lugense e asturiense.

2 – OS TRES POVOS DA GALLAECIA

A administraçom romana identificou tres grandes povos galaicos: bracarenses, lugenses e asturienses. Segundo descripções e documentos da época, como a do polímata grego do século II Claudius Ptolomaeus, os galaicos bracarenses viviam nas terras entre o rio Douro e o rio Lerez; os galaicos lugenses viviam nas terras dentro da linha que vai do rio Lerez ás montanhas de Trives e Ancares e ao rio Navia; e os galaicos asturienses viviam ao leste do rio Navia e das montanhas de Trives e Ancares.

3 – PROVINCIA DA GALLAECIA, ANO 293 D.C.

A partir do ano 293 D.C. a reforma administrativa do Emperador Diocleciano convirte á Gallaecia numha única província administrativa dentro do Império Romano. Esta é a primeira vez na história que os tres povos galaicos aparecem unificados dentro dum mesmo quadro político-administrativo chamado «Gallaecia». O território da Provincia Gallaecia abrangia as terras dos bracarenses, lugenses e asturienses, e mesmo chegou a expandir-se sobre novos territórios da meseta celtibérica até as actuais vilas de Sória e Segóvia.

4 – REINO DA GALLAECIA, BAIXA IDADE MEDIA

No ano 409 umha dinastía germánico-sueva unificou aos povos galaicos e criou o primeiro reino feudal da Europa medieval: o Galliciense Regnum ou Reino da Gallaecia. O território do Reino da Gallaecia abrangia os lindes históricos dos bracarenses, lugenses e asturienses, e mais incorporava permanentemente um novo território: as terras lusitanas entre Douro-Mondego ou “Marca do Mondego”. Em tempos de expansom militar, o Galliciense Regnum ocupou novos territórios dentro da meseta celtibérica e da Lusitánia e chegou a expandir-se até a actual regiom de Andaluzia.

5 – FRONTEIRAS ESTAVEIS DO REINO DA GALLAECIA, SECULOS V-VIII

Desde a instauraçom do Reino da Gallaecia as suas fronteiras permanentes e estáveis abrangiam os lindes históricos dos galaicos bracarenses, lugenses e asturienses, e mais as terras lusitanas entre Douro-Mondego. No ano 585 mudou a dinastia governante do Reino da Gallaecia, mas nom o seu território. A nova dinastía germánico-visigoda mantivo a autonomia política e a integridade territorial do Galliciense Regnum (Leovigildo, “Rex Gallaecia, Hispania e Narbonensis”; presença no III Concilio de Toledo das igrejas “Spaniae, Galliae vel Galliciae”, etc).

6 – GALLAECIA NO SECULO IX

Trás a invasom árabe da Gallaecia do ano 715 os muçulmanos chegarom a ocupar temporariamente as terras bracarenses e asturienses. Na Gallaecia asturiense os árabes establecerom umha prefeitura na cidade de Xixón até o ano 722, data na que a historiografia marca o começo do contra-ataque galaico. Este reino galaico é ainda conhecido polos povos europeios (Francos, Escandinavos, Británicos) e muçulmanos como Regnum Gallaetiae. O novo Reino da Gallaecia completou a recuperaçom de todas as terras bracarenses com a conquista de Porto no ano 868 e também tomou dos mouros novos territórios na meseta celtibérica.

7 – FRAGMENTAÇOM DA GALLAECIA NOS REINOS DE GALIZA, LEOM E PORTUGAL

A falta dumha dinastia monárquica forte provocou luitas de poder entre a nobreza asturiense e lugense, e terminou com a fragmentaçom da Gallaecia em dous reinos diferentes. No oeste, as gallaecias lugense, bracarense e parte da asturiense formarom o Reino da Galiza, sucessor histórico do Reino da Gallaecia. No leste, o resto da gallaecia asturiense formou o Reino das Astúrias, que mudou o seu nome em 1030 para Reino de León. Os reinos de Galiza e León mantinham umha estreita relaçom política, compartiam frequentemente dinastias monárquicas, e compartiam também o idioma galego como língua de governo ou língua franca. A derrota dos exércitos de Leom e Galiza contra os castelãos na Batalha de Tamarom em 1037 provocou anos mais tarde outra partiçom da Gallaecia com a criaçom do Reino de Portugal, fundado sobre os condados galegos de Portucale (Gallaecia bracarense) e Coimbra (norte da Lusitánia). Os lindes territoriais destes tres reinos galaicos eram quase idénticos aos lindes das antigas gallaecias bracarense, lugense e asturiense.

8 – NACIONALISMO HISPANO E LUSITANO, E PERDA DA IDENTIDADE DA GALLAECIA, SECULOS XV-XXI

Nos passados seis séculos os nacionalismos hispano e lusitano tentarom diluir a identidade nacional galaica dos povos bracarense, lugense e asturiense. No Reino de Portugal a capital e o poder do estado marchou á Al-Lisbuna, na estremadura lusitana, e começou um processo de aculturizaçom lusitanista. O Reino de Leom desapareceu e foi absorvido política e culturalmente por Castela, com a que comparte a árida meseta hispana. O Reino da Galiza foi submetido constantemente a umha “Doma e Castraçom” política, económica e cultural por parte de Castela. Induvidavelmente, a identidade nacional e territorial da Gallaecia recuou muito nos passados seis séculos… Mas nom desapareceu!


Mapa: Gallaecia Regnum, por Mercator-Hondius no ano 1613

9 – IDENTIDADE NACIONAL GALAICA NA GALLAECIA CONTEMPORANEA:
UMHA PROPOSTA TERRITORIAL PARA A FEDERAÇOM GALLAECIA

Onde existe ainda hoje umha identidade nacional galaica?

A Galiza é -como o seu nome evidéncia- o território que conservou vivo a memória do Reino da Gallaecia e o seu espírito soberanista e reunificador. Na Galiza existe um território lugense (comarcas do norte e o centro), um território bracarense (comarcas ao sul do rio Lerez) e um território asturiense (comarcas de montanha do sul-este). A Galiza conserva umha forte identidade etnográfica, cultural e nacional reconhecida internacionalmente. É na Galiza que está mais forte o movimento de soberania nacional e de federalismo dos povos galaicos.

As terras entre Douro e Minho seguem a sofrer umha aculturizaçom promovida polo nacionalismo lusitanista. Ainda assim, sobrevive nas terras bracarenses um crescente sentimento de origens nacionais galaicas, que se manifesta por exemplo em iniciativas políticas (Eixo Atlántico), desportivas (Copa Gallaecia) ou musicais (festivais intercélticos). Este sentimento de origens nacionais galaicas é especialmente intenso nas regiões minhotas e de Trás-os-Montes.

Existem dous territórios do antigo Reino de Leom, Gallaecia asturicense, que tradicionalmente simpatizam com a cultura galaica e, ocasionalmente, tém falado da conveniéncia dumha possível uniom com a Galiza. Estes dous territórios som a comarca de As Portelas (galego-falante) e a regiom de O Bierzo (galego-falante no occidente e castelão/astur-falante no centro e leste). Existe também um território galaico-lugense dentro da actual Comunidade Autónoma da Astúrias onde organizações e indivíduos trabalham polo achegamento entre a sua Comarca Eo-Navia e a Galiza.

Fora destes territórios mencionados anteriormente já nom existe hoje nengum sentimento social significativo de pertença á Gallaecia cultural. Os antigos territórios estremeiros da Gallaecia -Leom, Astúrias e Marca do Mondego- foram os mais vulneráveis ás estratégias de aculturizaçom e assim carecem na actualidade de movimentos sociais ou culturais abertamente orgulhosos da sua história galaica. Pior ainda, em perfeita sintonia com o nacionalismo hispano ou luso, muitos dos seus habitantes mesmo agitam actitudes antigalaicas e hostis á soberania da Gallaecia. Mas se quadra esta situaçom poderia evolucionar no futuro: Desde há duas décadas o novo movimento culturalista asturiense está a importar a estratégia folclórica e cultural da Galiza e, similarmente, a regiom do Mondego olha sempre com simpatia as iniciativas lançadas desde a vizinha Gallaecia bracarense. Se quadra estas relações som a semente para umha mais estreita e leal cooperaçom futura.

A tarefa dos nacionalistas é trabalhar por um país melhor e por umha naçom soberana. Para maximizar a efetividade do nosso trabalho é imprescindível concentrar os nossos esforços no coraçom atlántico da Gallaecia, na independéncia das Gallaecias norte e sul. A independéncia e a reunificaçom federal do norte e do sul é prioritária.

Ao mesmo tempo deve-se trabalhar duro para que esta Gallaecia seja umha economia potente e um modelo de sucesso e bem estar para os seus cidadãos. Só umha Gallaecia forte e próspera atrairá o interesse doutros territórios históricos da Gallaecia como a Marca do Mondego ou algumhas regiões estremeiras da Gallaecia leste, que deverám encontrar as portas da federaçom sempre abertas para participar no projecto político galaico em pé de igualdade.

 

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